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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Eu, candidata!

Baseada nas belíssimas campanhas eleitorais com que os candidatos nos têm brindado, observando tantas incongruências e contradições, resolvi criar o meu próprio projeto de campanha, abordando os principais temas:

Problemas relativos à rede viária e aos transportes:
Chega de preocupação, gente! Os buracos são a modernidade! Vamos, com a verba do governo Federal, Estadual, Municipal e Informal, construir a maior rede de metrô do mundo! Nem Paris, nem NY, nem Tokio, mas Campinas terá a maior rede pública de transporte urbano do mundo! Nunca dantes nesta cidade houve nada como isto! Usaremos os buracos que já temos (o que trará enorme economia para a cidade) onde apenas colocaremos os trilhos, cobriremos, e já no meu primeiro mês teremos o problema dos transportes completamente resolvido. Toda a rede viária será coberta! E as pessoas poderão optar pelo bilhete único diário, com direito a café-da-manhã para aqueles que mais precisam .
Problemas relativos à educação:
Educação vem de berço, e assim faremos em meu primeiro dia um convênio com os fabricantes de berços da região, estimulando assim também a produção industrial local, que, por sua vez, empregará maciçamente os egrégios das escolas médias. Daremos um berço para cada criança já no seu nascimento, berço que levará para toda a vida nas costas. Através das cotas , entrarão todos na Universidade Federal onde finalmente aprenderão gramática e concordância nominal, além de que particípios presente não são flexionados em gênero.
Os professores serão finalmente reconhecidos, pois cada um terá seu próprio crachá, com nome e fotografia colorida em uma dimensão legível e versão em Braile.
Criaremos a Universidade Municipal, para finalmente favorecer os cidadãos que tenham mérito e só mérito.
Problemas relativos à saúde:
A Saúde, segundo a OMS, é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças. Em base a esta premissa, desenvolveremos o maior projeto de saúde jamais realizado neste país e quiçá no mundo! Vejam a proposta: onde a maioria tem a maior sensação de bem-estar (em uma terra tropical como a nossa)senão na praia? Por isso, construiremos a maior e mais espetacular praia artificial do mundo, com capacidade para 1.500.000 pessoas! Abrangendo toda a população e com alguma folga, pois os frequentadores poderão trazer um amigo ou agregado ocasional, desde que tendo reservado com antecedência! Com os fundos do governo Federal, Estadual, Municipal e Informal, criaremos ainda o "bolsa água-de-coco", que favorecerá todos os frequentadores do espaço, combatendo a desidratação. Teremos ali cursos para a prática de frescobol, surfe, natação e outros esportes aquáticos, estimulando jovens atletas a trazerem para o município medalhas em profusão, a começar pelas Olimpíadas do Rio. Além disso, forneceremos uma hora diária de personal training em parceria com as Universidades Federal, Estadual, Municipal para cada habitante da cidade, de modo a extinguirmos o sedentarismo em nosso território.
O comércio será favorecido, podendo abranger todas as categorias desde o vendedor informal até o restaurador de elite. Sim, nosso governo é para todos!
Moda, alimentação, cosmética, turismo... quantas novas possibilidades e empregos serão criados!
Na primeira hora de meu mandato, já decretarei a proibição de ficar doente no perímetro urbano. Aqueles que infringirem a lei, serão exilados para os municípios vizinhos, até fornecerem atestado de saúde comprovando as suas boas condições físicas.
Problemas relativos à segurança:
Ignorar o risco é burrice. Segurança é um objetivo impossível. Quase tanto quanto por na cadeia gente sacana. Aqui, ainda, é cada um por si e Deus por todos.
Problemas relativos à moradia:
A casa é onde o coração está. O coração está no peito. Com os recursos Federais, Estaduais, Municipais e Informais, criaremos um bairro inteiro, chamado Peito para abrigar todas as casas. Casas. Os demais serviços ainda não foram devidamente localizados*. Assim que isto ocorrer, construiremos um bairro para eles também.
(*Em Roma, os esgotos ficavam na Cloaca. A questão é que é um pouco distante do Peito.)
Criação de empregos:
Como os eleitores puderam verificar, apresentamos em nossas propostas infinitas possibilidades de criação de empregos em várias categorias e em uma ampla gama de profissões.
Experiência:
Graças a Deus, nenhuma. Nunca antes, na minha carreira, me propus a algo do gênero. Nunca! Juro! Assim, cidadãos que querem soluções mirabolantes, finalmente os senhores terão um candidato à altura!
Votem em mim! Eu represento mais verdade que muitos que circulam por aí.



quarta-feira, 10 de junho de 2009

A eleição onde não há perdedores

Falar de política é sempre temerário. Política do país alheio é ainda mais.
Depois de tentar explicar para alguns o porque as tais fotos de gente de topless na Italia não é escandalo algum, e que certos figurões andam nus nas suas férias em praias tidas como "particulares", se tornou bastante interessante observar certas aberrações da corrida eleitoral italiana.
Curiosa a matemática política. Apesar da estatística ser uma ciência imprecisa, o resultado das urnas é como a canção de Roberto Carlos onde 2 e 2 são cinco.
Não há perdedores! Incrível, não é? Apesar da vitória de uns, os outros insistem em proclamar-se vencedores. Vai entender. No meu tempo, a matemática não era opinião.
Mais curioso ainda é o sugerimento do ex-premier Romano Prodi para a esquerda italiana: "Renovem-se!"...mas de qual púlpito vem a pregação! Até tu, Brutus?
Já não bastou ao pobre Franceschini ter que engolir o On. Berlusconi e todas as suas razões nas urnas, ainda recebe um sermão da cúpula, que de renovada não tem nada. Tem gente que está ali desde o berço (leia-se D'Alema) que começou na escola fundamental na política e está já na livre-docência com uns 5 pós doutorados. Veltroni, tadinho, após uma superexposição e a perda nas últimas eleições tentou de tudo até queimar o seu filme e credibilidade de forma severa. Menos mal que tanto lá, como cá, a memória é curta para estes assuntos.
Uns são simpáticos, outros menos, mas nenhum democrata ou das coligações de esquerda bate o tal Berlusconi. O cara tem carisma, é inegável, mesmo com todas as gafes e mocinhas de turno. Me deixa perplexa como as notícias que "vazam" para a imprensa (inclusive estrangeira) sejam tão miradas, tão de parte, e mesmo assim ele está lá, impávido colosso. Parece o Lula, que mesmo após todos os escândalos de malas a cuecas, continua em pé. E lá nem tem bolsa-família, imaginem.
O mais galã da política italiana é indubitavelmente Pierferdinando Casini, da UDL, partido de centro que corre por fora. Ganhou cerca de 6% da preferência do eleitorado o que mantém seu partido "vivo e vegeto" e arrisca a afirmar que se fosse coligado com a maioria ela nem iria para o segundo turno. O título de bonitão de turno já foi de Francesco Rutelli, quando foi prefeito de Roma. Mas acabou se tornando um chato de galocha e não há beleza que resista. Até mesmo o anoréxico Fassino se tornou mais interessante.
Tem algumas mulheres na política: Rosi Bindi, a mais tediosa em absoluto, Livia Turco, que de vez em quando dispara umas boas idéias, Santanchè que virou personagem cômico, a Brambilla ruiva e falante, a Gelmini que tenta desesperadamente dar uma arejada na escola italiana, a Garfagna (que quando cheguei na Italia comandava um programa de namoro na TV onde ela e um colega, Walter Nudo, corriam pelas ruas atrás das pessoas dispostas a namorar), a Prestigiacomo, a Bonino,...
Eu simpatizava com os radicais, confesso, embora ultimamente as coisas estejam um pouco mudadas e o partido tenha se desfigurado ao se aliar a grande coligação democrata. Era melhor antes.
Assisto com frequência o debate italiano, me diverte ver como as pessoas acham pelo em ovo e distorcem o discurso conforme os interesses do orador. Isto não é para qualquer um. Precisa ter arte.
A RAI International é um pouco (muito) de parte (oposição), mas apesar de tudo é belo ver as desculpas esfarrapadas que as pessoas arranjam para justificar seus pontos de vista e disparar contra o adversário de tudo, menos propostas sérias e soluções. Quase como aqui...

W l'Italia (vi adoro)!