quinta-feira, 28 de junho de 2018

Morreu.

Morreu mais um.
Um filho da mãe
um filho de mãe
um filho
uma mãe
Morreu.
Está ali
largado no chão
O sangue escorre.
Ele correu,
A bala foi mais
mais que perdida,
a bala ganhou,
a bala entrou
sem bater.
Morreu
mais um.
Mais um silêncio
mais um grito
morto no peito.
O nome?
Não sei.
É mais um.
Morreu.
Amado filho
da mãe
o filho da puta,
o filho da pátria amada.
Morreu.

Matrioska

Comprei para ela uma Matrioska.
Um amuleto, um augúrio, uma memória.
Neste ano, de Copa na Rússia, foi um achado. Ela vai lembrar pela vida deste fim de semana que passamos juntos ao olhar as bonequinhas na prateleira.
Vai lembrar que tem o poder de transformar seu momento ruim em algo de bom. Que não somos obrigados a amargar os fracassos se pudermos construir uma alternativa. E às vezes é só uma questão de escolha.
Matrioskas são símbolos de família, de continuidade.
Matrioskas são sonhos para serem realizados e renovados. Matrioskas são desejos de sorte e boa fortuna.
Cinco bonequinhas que representam cinco chances.
De mãe para filha.

PS: E também dei a ela um Daruma. Pelo sim, pelo não.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

2018, ou não.

E agora que já festejamos, vale lembrar A. Einstein: “A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente.” 
Tempo é só uma ilusão. Assim, não importa se aquilo que  chamamos de ano começou ontem, anteontem, ou começará amanhã. O ano, o tempo,inventamos nós. Ou não. A festa é nossa, ou não. 
Mas a ilusão, ah, esta nos pertence. 

Que seja grandiosa então!

domingo, 24 de dezembro de 2017

Feliz Natal

(Este texto é de 2016)

Feliz Natal, gente! Simples assim.
Divirtam-se se puderem, festejem, se puderem. Demonstrem  seu afeto.
O tempo passa depressa demais.
Não precisa ter presente, não precisa roupa nova, maquiagem, nada disso.
Só é preciso um pouco de boa vontade, um pouco de carinho. Sorrir, se der.
Criar memórias, criar vínculos.
Se não der, bom Natal mesmo assim. Que a noite seja mansa e tranquila. Que a dor seja passageira ou pelo menos suportável. Que os incômodos sejam fugazes. Mais fugazes que nós mesmos.
Feliz Natal, porque felizes deveriam ser todos os dias.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aura

A cabeça é como uma caverna onde os sons ecoam.
Meus pés pesam toneladas.
Sinto náusea e minhas entranhas falam uma língua estrangeira.
A desilusão cronificada, a desesperança diuturna e pontual.

Flutuo numa realidade suspensa
onde a indiferença contrasta com a gravidade
freando o tempo.
Minha pele não me serve mais e respirar
é uma façanha.
A avalanche de ideias impede qualquer ação.

Pulso, pulso, pulso...
Sinto a tensão crescente, subindo como lava até a explosão final.

Depois silêncio e vazio.









segunda-feira, 20 de março de 2017

Burnout

Estranho sentimento de perceber que o que você ama, o que você faz, o que você é, lhe causa dor e doença. 
Estranho e desconfortável. 
Especialmente quando o tempo já não é mais um aliado e percebe-se a urgência de sobreviver.
A dor e a tristeza vão engolindo devagar os dias. E a luz vai se afastando no final do túnel.
Paro porque não consigo mais seguir em frente. 
Ao menos tenho ainda a lucidez de perceber o limite.
Mesmo que incomode, mesmo que o sentimento seja presente e avassalador. 
Entrego os pontos, jogo a toalha e escapo para meu refúgio interior.  

Mergulho em mim esperando encontrar um refrigério.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Notas de um novo ano sem título

A luz invocando memórias

Hoje cedo, pela janela da cozinha, a luz me trouxe a lembrança do mar de uma infância longuínqua, os cheiros do sal e do ozônio, a lembrança do baldinho, da pá e do toque da areia. O maiôzinho vermelho dos meus cinco anos.
E pela primeira vez me dei conta de como somente a luz (além dos cheiros e dos sons, além dos perfumes e sabores) era capaz de invocar com força lembranças tão vívidas.
Surpresa e maravilhada, foi um momento suspenso no tempo.


O desejo de viajar.

Fiquei pensando no que mais me encanta no fato de viajar. Pensei que talvez fosse a novidade, a estranheza, o estímulo de sair do habitual e se lançar na busca do desconhecido. Mas na verdade, os novos horizontes, novos sabores, novos comportamentos acabam mostrando que a realidade é bem outra.
Quando viajo me aproximo do estranho, me abro e ao mesmo tempo, me aproximo de mim mesma. Reconheço melhor minha imagem, meu eu, minhas raízes enquanto me aproprio deste novo espaço, destes estranhos e seus costumes.
É isto que me fascina. O completamente novo que reconheço em mim como meu, parte da minha identidade. Apesar de nossas aparentes diferenças somos humanos.
É que as pessoas são mais símiles de quanto a maioria supõe. Mesmos desejos, mesmas necessidades, mesmos sentimentos. Soment e expressos em sutís padrões mais ou menos diversos.
É assim que aprendemos que somos iguais em nossas diferenças.
Viajar, traz a percepção da dimensão humana no outro.